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Ao longo e lento correr das horas ao lado de uma criança, 05 anos, linda, sorridente, falante e sobretudo simpática, deitada na sua cama, imobilizada com gesso por estar com o fêmur esquerdo quebrado, eu me questionava: que se passa na cabeça dessa criança? como será quando ela se livrar dessa imobilização e voltar a ver o mundo de frente, voltar às aulas, retomar sua vida social intensa, puder ir a shopings e se locomover feliz e veloz por todos os caminhos que lhe são possiveis de acessar.

Olhava pro alto do seu armário e lá estava, dobradinha e aguardando o momento de voltar a ser útil, a sua cadeira de rodas. Isso, essa menina feliz mas que se diz entediada por encontrar-se deitada no seu leito é uma cadeirante e por não ter movimento nos membros inferiores, tem os seus ossinhos fraquinhos e a um leve movimento foi fraturado.

Eu, que já convivo com essa criança por quase seis anos, conheço de perto a sua realidade confesso ter me emocionado ao me dar conta da realidade, do valor e importância que aquela cadeira tem para a sua vida. Enquanto pode-se dizer, isso, ainda há quem diga: coitadinha! nós, eu, sua família, seus amigos, não vemos a hora dela, livre daquela armadura que lhe toma mais de 50% do corpo ver a sua peraltice sobre suas duas rodas.

Pensei em escrever mantendo no anonimato a personagem principal do conto - Camila Cardoso Monteiro, minha netinha mas, o emocional falou mais alto e a convicção das suas possibilidades barrou-me e o faço orgulhosa e feliz.

Corri ao Dr. Google para inspirar-me em algo e logo deparo-me com o site do Movimento SuperAção e onde, logo ao usar a barra de rolagem deparei-me com um texto simples e bem voltado pra realidade do cadeirante escrito por Tábata que Camilinha teve o pazer de conhecer, junto com sua mãe e  assistir a um ensaio do grupo Oficina dos Menestréis em São Paulo.

texto sendo preparado!!!!

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Entardecia.

Uma brisa leve batia no meu rosto enquanto caminhava lentamente, sem rumo, pelas ruas congestionadas de agonia. As pessoas passavam cegas, irritadas e apressadas. Tão cegas, tão irritadas e tão apressadas que não viam nem sentiam a beleza da tarde, do sol se pondo, das flores e folhas aliviando-se do calor e deixando-se refrescar pela brisa que nos envolvia.

Eu fiquei ali parada alguns minutos. Não entendia por quê tanta pressa pra tudo. Por que não organizar o nosso tempo permitido-nos momentos para observar tanta coisa bonita. Ah! Se todos parássemos para distinguir as diferenças entre um “ escort ” e uma “joaninha; um edifício de treze andares e um formigueiro; um avião e uma borboleta com suas lindas asas coloridas e o rio que corre, o sol que brilha, as estrelas e a lua que embelezam as noites, tão diferentes dos salões fechados ao som de uma barulhenta orquestra. Tem muito mais. Eu passaria toda a minha vida a enumerar as maravilhas que nos cercam e não nos damos tempo para observar. Que pena !

Dei-me conta do tempo que parei, e segui em busca do nada, à procura do tudo. Encontrei. Durou pouco, mas encontrei.

Foi um lindo encontro. Foi assim…

Ela estava ali parada, perplexa, meio tonta, confusa com tudo que via; tanta frieza, tanta ambição, tanto corre-corre, tanta agonia ( igualzinho a mim minutos  antes de encontrá-la ). Fiquei a observá-la e me encantei

com tudo o que via. Tão diferente de tudo, tão comportamentalmente estranha, tão distante da terra que nem mesmo o passar doa séculos a alcançariam. Ela era linda, apesar dos traços de cansados que a marcavam. Ainda assim, sorria feliz com a certeza de que encontraria na sua busca lenta, uma companhia idêntica, e mais outra e mais outra e muito mais outras, até saber que todos já eram iguais a ela. Que já não era tão diferente de todos.

E eu já não me cabia de tanta felicidade de tê-la encontrado e perguntei-lhe:

- Quem é você ?

E ela sorrindo me respondeu:

Sou aquela sempre perto de você. Sou sem medo e sem bloqueio e tenho as mesmas necessidade tuas, os mesmos anseios e a mesma certeza de que um dia, por mais que esteja distante, não estarei sozinha e isolada. Terei comigo multidões empolgadas com um mundo mais bonito, onde todos vejam com mais valor as reais coisas bonitas que existem dentro de cada um. Eu sou aquela que pacientemente espera por um mundo cheio de amor.

Ainda assim insistir curiosamente…

- Quem é mesmo você ?

E ela, num abraço aconchegante, olhou-me profundamente e sorrindo balbuciou feliz:

- S… O …U… S…U…A V…I…D… A ..

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